Diário · 5 min de leitura
Como funciona a terapia online (e como saber se é para você)
O que acontece na primeira sessão, do que você precisa, como fica o sigilo e o que a pesquisa diz sobre terapia por vídeo.
Muita gente pensa em fazer terapia durante meses antes de mandar a primeira mensagem. Uma parte dessa demora tem a ver com o que se sente. A outra parte, bem maior do que parece, tem a ver com não saber como funciona. Este texto é para a segunda parte.
É terapia de verdade?
Sim. No Brasil, o atendimento psicológico online é regulamentado pelo Conselho Federal de Psicologia desde 2018 (Resolução CFP nº 11/2018). Para atender online, a psicóloga precisa ter cadastro aprovado no e-Psi, uma plataforma do próprio Conselho. Você pode consultar se uma profissional está cadastrada em cadastro.cfp.org.br.
A terapia online segue o mesmo Código de Ética da presencial, incluindo o sigilo. O que muda é o lugar: em vez de uma sala, uma chamada de vídeo.
E funciona?
Pesquisas que compararam psicoterapia por vídeo com a presencial têm encontrado resultados parecidos para muitas demandas comuns, como ansiedade e depressão. O que mais faz diferença costuma ser a mesma coisa nos dois formatos: a confiança entre você e a psicóloga e a regularidade dos encontros.
Isso não quer dizer que o online sirva para todo mundo, em qualquer momento. Situações de crise, por exemplo, pedem atendimento presencial e de urgência. Na conversa inicial, a própria psicóloga avalia com você se o formato faz sentido.
O que acontece na primeira sessão
A primeira sessão é uma conversa para vocês se conhecerem. Normalmente a psicóloga pergunta o que te trouxe, como está a sua vida hoje e o que você espera da terapia. Você fala o que quiser, do jeito que conseguir. Não precisa chegar com nada organizado.
Também é o momento de tirar dúvidas práticas: frequência, duração, valor, sigilo, o que fazer se precisar faltar. Ao final, você decide se quer seguir.
Do que você precisa
- Celular ou computador com câmera.
- Internet estável.
- Um lugar onde possa falar com privacidade. Fone de ouvido ajuda.
Não ter um cômodo só seu é mais comum do que parece. Tem gente que faz a sessão no carro estacionado, no quarto com uma música do lado de fora da porta, ou numa sala de reunião vazia no horário de almoço. O importante é você se sentir à vontade para falar.
Como saber se é para você
Algumas perguntas ajudam:
- Você tem dificuldade de encaixar deslocamento na rotina?
- Você se sente mais à vontade falando do seu próprio espaço?
- Mora numa cidade com poucas opções de profissionais, ou quer alguém com uma abordagem específica?
Se a resposta for sim para alguma delas, o online pode ser um bom começo. E, se não for, tudo bem: o melhor formato é aquele que você consegue manter.
O primeiro passo pode ser pequeno
Mandar uma mensagem perguntando como funciona não cria compromisso. É só uma conversa. Se você quiser, pode começar por ela.